Energia armazenada nas hidrelétricas do Sistema Interligado Nacional, em percentual da capacidade máxima. Fonte: ONS, dados abertos.
| Subsistema | Energia armazenada |
|---|---|
| Sudeste / Centro-Oeste | 59,4% |
| Sul | 84,8% |
| Nordeste | 77,3% |
| Norte | 84,1% |
| Indicador | Valor | Variação |
|---|---|---|
| Carga verificada do SIN | 83,8 GWmed | ▲ 3,0% |
EAR é a Energia Armazenada. Ela responde a uma pergunta simples: se todas as hidrelétricas do país esvaziassem seus reservatórios agora, quanta energia sairia dali? O número em percentual compara esse estoque com o máximo que o sistema consegue guardar.
É importante entender que a EAR não mede volume de água, e sim energia. Um reservatório pequeno numa usina de queda alta pode guardar mais energia que um lago enorme numa usina de queda baixa. Por isso 70% de EAR não quer dizer que os lagos estão 70% cheios de água — quer dizer que o sistema tem 70% da energia que caberia estocar.
O Brasil ainda depende bastante de hidrelétrica, e água guardada é combustível barato. Quando a EAR está alta, o sistema atende a demanda com as usinas mais baratas e o PLD cai. Quando a EAR cai, o operador precisa poupar água para os meses seguintes e liga térmicas a gás, carvão ou óleo — que custam várias vezes mais. O preço sobe, e pouco depois a bandeira tarifária acompanha.
O reservatório do Sudeste/Centro-Oeste é o maior do país e o que mais pesa no número agregado. Mas cada região tem seu próprio regime de chuva e seu próprio estoque: o Nordeste pode estar confortável enquanto o Sudeste aperta, e a transmissão nem sempre consegue compensar a diferença. Acompanhar a abertura evita concluir do número único o que ele não diz.
EAR é estoque: o que já está guardado. ENA — Energia Natural Afluente — é fluxo: quanta energia está chegando aos reservatórios pelas chuvas e pelos rios agora. Dá para ter estoque alto com afluência ruim, e é exatamente essa combinação que costuma antecipar aumento de preço.